31 março 2006

O Próximo

Não limite sua capacidade homem!
Pare logo com isso!
O que faz a tanto tempo escondido atrás deste balcão, meu rapaz?
Será que nunca perceberás que existe um turbilhão de coisas que acontecem no mundo abafado lá fora, diferente deste que te congela e te pára no tempo?
Quantas vezes ainda preciso te lembrar que por mais que necessite desta grana não há dinheiro que compre a sensação de realização profissional, ou pelo menos o alívio de entrar em seu ambiente de trabalho e não sentir mais o peso e a tensão que hoje te incomoda toda vez que põe os pés naquele maldito lugar?
Sim, existem algumas pessoas que se salvam por lá, mas vale a pena agüentar tanta exploração sendo que você está em um ambiente hostil?
Vale a pena sair sexta-feira para “comemorar” com todo o pessoal mais uma semana de trabalho, enquanto em quase todos os momentos ouviste lamentações e intrigas?
Você sabe que não é uma questão física, mas mental, que te cansa e te corrói a cada dia, pois não existe aprendizado que possa ser levado como experiência de vida naquele lugar.
Sabes que não faz o bem e que por muitas vezes engana clientes, para ocultar uma verdade suja e que não compartilhas.
Lá, tu esqueceste que és homem. Não passa de um código funcional: 6.112.072.
Quem pagou para você todas as tuas diferenças de caixa, e pagará a próxima, a maior de todas: Tu!
Filho meu, peço que ouça a voz do teu pai, pois como sabes sou onipresente, onisciente e onipotente.

Jamais te abandonarei!

Pense bem em tudo isso meu rapaz, mas agora DÁ PRA CHAMAR O PRÓXIMO PORQUE A FILA ANDA, PORRA???

28 março 2006

Carta aberta à alguém que já faz parte da minha vida

Cabeça,

Estou com o pensamento longe, bem longe...

Queria estar aqui em frente a este teclado, mas sinto que não é apenas a minha mente que está distante.
Meu coração, minha vida, meu futuro, meu sonho... Tudo se afasta.
O silêncio grita aos pés do ouvido desta alma, e um sussurro estremece toda e qualquer chance de fingir que a felicidade está aqui.
Seria demasiadamente cômodo ter uma vida simples, feliz e sem complicações.
Mas não sou assim.
Não nasci para ser assim.
Como gosto de lembrar sempre: “Sou um simples cara complicado, buscando o equilíbrio sempre desequilibrado. Alguém que não sonha em ser feliz, pois já é feliz em sua realidade sonhadora”.
Buscarei a felicidade em cada sonho e entenderei que, em breve, o sonho maior estará no norte, e não será um horizonte tão distante.
Sei que quando as ondas do mar baterem posso até cair, mas foi pra isso que eu aprendi a nadar. Darei gargalhada e surfarei nas ondas dessa complicada história.
O sol está brilhando lá fora, eu sei disso. Assim como tenho certeza de que já é a hora dele brilhar para nós também.

Ai,
Um novo caminho, uma nova vida, um novo sonho.... Tudo isso abre espaço para uma nova esperança.

Aqui, um grande beijo e não esqueça que estarei sempre com você.

Ah, e espero que dessa vez nossos anjos da guarda trabalhem em sintonia e transformem todas as horas simples ou complicadas, nas melhores horas de nossos dias.


“Pra nós dois sair de casa já é se aventurar”
(Rodrigo Amarante)

25 março 2006

Devaneios Degenerados

Terceiro Devaneio - A Musa


Nunca soube diferenciar sensualidade de sexualidade, mas definitivamente a imagem que enchia de luz sua retina era de fato a harmonia perfeita entre os dois termos, com doses cavalares de carisma.
Um corpo escultural, quase caricato, se contrapunha a um sorriso delicado, que não era direcionado a qualquer um.
Cabelos longos, e dourados, pernas grossas e lisas, seios imperialistas e um rebolado que deixava todos os marmanjos daquela distinta casa de família com cãibras no queixo.
Todos esses elementos eram mínimos, perante a doçura de seu olhar que ao mesmo tempo em que apaixonava, consumia o coração, que desesperado bombeava sangue para todas as partes do corpo, promovendo assim alguns constrangimentos.
Lógico que ele não liga para isso. Sua alma também está ereta, pois se completou naquela noite.
Pergunta a uma garota quem é a tal musa, mas não obtém a resposta que satisfaça sua inquietude e não há mais nada a fazer a não ser ir de encontro com o prazer.
Dá uns sete passos até esbarrar em um maldito bêbado, que derruba em seu corpo um copo inteiro de chopp. Seu corpo fede, mas, neste momento nada importa: A rosa mais delicada e letal de sua vida está em sua frente, exalando todo seu perfume e prazer.
Olha ao palco. Está a menos de dois metros da mulher que procurou por toda a sua vida.
Espera ansiosamente que ela fite-o ao menos por um segundo, porque assim já poderia morrer feliz. Encontraria a felicidade pela primeira vez, abraçada com a morte.
Algo estranho acontece.
Não deveria ter piscado os olhos em momento algum. Sim, esse foi seu maior erro.
Lá estava ela, a felicidade, ou melhor, a morte.
Dançando com uma máscara preta, completamente ensangüentada, e com uma faca entre os seios, sua musa não se passava de um anjo vermelho.
Não entendia os motivos, mas agora a dança da morte o fitava e esta sensação lhe causava um frio na espinha que chegou a deixa-lo paralisado.
Atordoado e não remunerado com a felicidade o impostor descobre que a maior farsa que existe é o próprio sonho que carrega consigo. Abandona-o.
Abre seus olhos, senta na cama, ainda perplexo, e lembra-se que não tomou seus remédios. Pega dois comprimidos, vai até a cozinha e com um copo d’água toma um porre de realidade: É hora de acordar!

24 março 2006

Devaneios Degenerados

Segundo Devaneio – Las Tequilas

Sempre quisera compreender a importância de uma noite de sono bem dormida, mas jamais se conformou em perder oito preciosas horas de sua vida, deixando seu cérebro em ponto morto. Não existe excitação alguma em ver uma frota de carros emparelhados, todos eles prestes a engatarem a partida. Dormir é esquecer que o tráfego pode fluir. É fingir que não existe ninguém fazendo sexo em clubes imundos e mal freqüentados. É jubilar o desperdício de um terço do dia, enquanto todos os anjos que um dia moraram no céu, comandam a noite, e o todo poderoso tira um cochilo no jardim do Éden. Mas dizem que existe uma opção menos dolorosa neste menu de torturas: o sonho.
Pois bem, resolve se concentrar e deixar este tal de sonho fantasiar esse hiato tedioso, e com muito esforço suas pupilas se fecham e o motor do carro desliga.
Entre uma nuvem espessa de fumaça e um avião em queda, transgride todos os princípios da física, até chegar ao campo de aterrissagem, um puteiro, óbvio.
Ao entrar na espelunca se depara com um segurança de quase dois metros de altura, mas passa ao lado dele descarregando sua fúria com um sutil carrinho na nuca, e o leão-de-chácara estranhamente não consegue se levantar.
Percebe que tem super poderes e que pode enfim sobrepor a tortura de viver em plena insegurança. Abraça logo a primeira louca que aparece pela frente, e sem medo e nem respeito chama-a de vadia, para alimentar sua alma de macho chauvinista.
Pede uma dose de tequila e a garçonete trás logo uma garrafa, junto com meia dúzia de limões já cortados e um pratinho de sal enfileirado, que mais parece uma carreira de cocaína. Bebe a primeira dose, o que certamente o derrubaria se estivesse acordado. Coloca novamente sal entre os dedos, chupa o limão e manda a segunda dose pra dentro. A terceira, a quarta, até perder a conta. Porém, suas pernas permanecem firmes e logo decide ir em direção ao palco, onde uma imagem instigante o atrai...


Continua...

23 março 2006

Devaneios Degenerados

Primeiro Devaneio – A injeção

Não remunerado , o impostor segue os primeiros passos da escuridão, que custou a aparecer após toda aquele pífio sentimento reluzente, que ludibriava as fronteiras do conhecimento, e se embasava no empirismo puro, destruindo qualquer pacto com a razão. Ouve a chuva tilintar na janela de seu quarto, tal como moeda em bolso de bêbado traído em busca de uma noite de porre escapista. Vê as primeiras gotículas transgredirem as frestas que o protegem do mundo lá fora. A água escorre pela parede branca, mais negra de todo bairro. Sua consciência determinou que cada rachadura tem a representatividade de uma pequena cicatriz. E, a cada chuva, a cada nova rachadura, o impostor vai pagando sua dívida com a chuva da vida. O sono não vem, e as reminiscências dão o colorido especial para toda aquela escuridão.Lembra-se do primeiro beijo: um encontro de bocas desencontradas e inexperientes, que com afobação e arrogância, julgavam-se donas das verdades mais abstratas. O abstrato não é verdadeiro, o verdadeiro é concreto. Não existe verdade que resista a abstração e que não se transforme em sonho, após a primeira injeção de palavras subliminares. A primeira hora da madrugada já foi completada, sem que um mísero pensamento pertinente passasse por sua cabeça. Entre as abstrações e suas pseudoverdades, resolve encostar a cabeça no travesseiro que o espera na cama...


Continua...

21 março 2006

O Vôo Breve de um Falcão

- O que você vai ser quando crescer?

- Quero ser bandido!


Os 58 minutos do Documentário Falcão – Meninos do Tráfico, que foram ao ar no último domingo no “Fantástico”, da Rede Globo, em edição especial para o programa (já que as mais de 90 horas de gravações devem chegar aos cinemas, provavelmente no dia 12 de Outubro, em um Documentário adaptado para a linguagem das telonas), provocaram a maior histeria na sociedade brasileira.
O Rapper MVBill juntamente com seu produtor Celso Athayde, dedicou seis anos de sua vida a percorrer as favelas do Brasil, entrevistando meninos que servem ao crime organizado, como fiéis soldados.
Os falcões – nome dado aos garotos que se expõem na entrada das favelas e que têm a missão de avisar quando os policiais sobem o morro - são uma espécie de sentinela suburbana.
MVBill acertou nas palavras ao dizer que sempre viu o crime organizado sendo analisado por sociólogos, antropólogos e políticos e que, enfim, chegou a vez de alguém da favela dizer o quê e como realmente as coisas acontecem por lá.
As cenas são cruas e lamentáveis, porém altamente verídicas: Crianças consomem drogas como se fossem doces, brincam de linchamento, e dizem que não tem medo da morte, pois nada pode ser pior do que o inferno em que vivem.
Dos 17 meninos entrevistados, 16 já morreram e a pergunta que fica é: Será que alguma coisa vai ser feita para que essa situação mude?
Não.
Assim como MV Bill - que ainda mora em uma favela e é integrante da ONG Central Única das Favelas - desejaria de coração que esta situação mudasse de imediato, e que um verdadeiro exército da salvação invadisse as favelas cariocas, bem como todas as regiões periféricas brasileiras.
Mas desta vez a invasão não pode ser como a última, que aconteceu no Rio, onde o Exército carioca resgatou suas armas, após o furto das mesmas.
O que deve acontecer no Brasil é uma interação entre todas as esferas da sociedade. Com maior distribuição de renda e diminuição das desigualdades sociais, o desenvolvimento começará a ser mais nítido também nas favelas.
O Estado deve intervir levando educação, saneamento básico e saúde para toda a população. A questão da segurança é apenas um estopim, pois nada pode ser feito para mudar a trajetória de uma criança, que tem como único parâmetro o caos. No próprio documentário isto foi detectado quando um falcão responde quem é seu maior ídolo: “Meu Fiel” (traficante que ensina os macetes do crime ao garoto).
Por fim, é sempre bom lembrar que estes pequenos traficantes poderiam ser pequenos médicos, pequenos engenheiros, se tivessem também o apoio da família. Na verdade, a questão nem é o apoio em si, pois o que não existe mesmo é a instituição familiar clássica: mãe, pai e filhos e irmãos.
Os falcões bastardos poderiam muito bem estar do outro lado da câmera como repórteres, cinegrafistas, profissionais ou diretores, mas se isso acontecesse mais uma pergunta seria jogada no ar: “O que alimentaria a perplexidade da apática sociedade brasileira”?

20 março 2006

Saudades de um tempo...

Eu queria que alguém tivesse a oportunidade de ler algo sobre saudade.
Não importa se o tema é batido, se vou citar algum autor, se o texto terá alguma importância social, e porque não, política.
Às vezes canso de ler e de escrever textos compostos de reflexões imutáveis, parâmetros, normas, coisas que não sentimos a menor falta quando a solidão bate, e a carência por ter alguém ao nosso lado é maior do que o anseio de conhecermos os alicerces da razão.
Certa vez, um amigo do primeiro ano de faculdade me disse que ia ao cinema sozinho. Perguntei a ele se não achava estranha esta situação e foi então que ouvi uma das frases que mais me marcaram no início de minha vida acadêmica: “Existe uma grande diferença de estar só e se sentir bem, e de estar sozinho”.
Isso não foi Marx, Sartre, Weber ou Nitzsche quem disse. Era apenas um jovem comum, talvez um promissor gênio, ou um execrado louco.
Quando estamos sozinhos, sentimos saudades de todos os lampejos de alegria, não conseguimos nem se quer fazer um simples programa como ir ao cinema.
Me lembro da minha primeira experiência deste tipo: foi muito estranho.
Ao entrar no cinema e ver todos aqueles casais felizes, me senti o pior dos mortais e tive a vontade de me esconder embaixo da poltrona até que os créditos finais do filme começassem a subir. Não o fiz, mas mesmo assim não consegui ter uma noite agradável.
Hoje ir ao cinema sozinho não passa mesmo de um simples programa, pois posso até estar só, mas não estou mais sozinho, sem esperança. Consigo até perceber que muitos daqueles casais “felizes” não passam de relacionamentos de fachada.
Quando resolvemos nossas crises existenciais, não sentimos mais saudades dessas coisas que são obrigatórias no mundo moderno: relacionamento estável, emprego considerável, vida social aparentemente feliz.

Todas estas aparências caem por terra quando começamos a entender que existe a possibilidade de sentir saudades mesmo daquilo que a gente não conhece 100%, porque saudade não se explica, se sente.
Quando estamos sozinhos e carentes, sentimos saudades.
Por outro lado, quando estamos sós, em ótimo estado de espírito e com nossa mente completamente lúcida, ainda assim sentimos saudades de um sonho que nem sequer sabemos se existiu, ou se um dia existirá.

19 março 2006

Gênios e Loucos

Corro...

Não sei pra onde vou, apenas continuo...
Eles correm atrás de mim, tentam me convencer a voltar, mas estou decidido a caminhar sem rumo.

Não preciso esperar a boa vontade do desgraçado do destino para decidir para onde vou.
Vejo um hospital e dois seguranças na porta, é aqui.

- Me interne, estou louco!


Os caras olham em meus olhos, observam meu estado e não acreditam em mim. Começo a contar um pouco da minha história e eles compreendem que estou alterado. Um dos homens sinaliza que o setor de internações fica no terceiro andar.
Estou pronto para subir.
Quando estou prestes a colocar meu pé esquerdo no tapete do elevador meu pai grita :

- Edgar, Edgar!

Nunca gostei muito de ser chamado de Edgar. Papai achou bonito porque uma vez leu um livro “A Carta Roubada” de um tal de Edgar Allan Poe, e cismou com o nome. Eu até cheguei a ler o livro, gostei do clima de tensão, mas o que mais me deixou intrigado foi saber que este mesmo autor certa vez disse a seguinte frase: "Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência."

Sempre fui o mais pirado da turma. De todas as turmas.
Quando era para animar um ambiente lá estava eu com a minha invejável alegria, que muitos preferiam chamar de insanidade.
De loucura em loucura, comecei a ser visto como a pessoa mais feliz do mundo, pois sempre estava rodeado de amigos, sorrindo, brincando e fazendo com que os outros se esquecessem de seus problemas.

Tudo isso é muito engraçado. Pois eles nunca pararam para pensar que eu sou um simples mortal, e como tal, tenho problemas também.
Nunca extravasei minhas angústias e talvez este seja meu maior defeito.

Mas hoje foi diferente. Alguém lá de cima(ou lá de baixo) mandou meu velho vir azucrinar minhas idéias. Eu estava tranqüilo com meus amigos bebendo minha tradicional cervejinha, quando o mundo desabou sobre a minha cabeça.

Não importa se eu briguei ou não com minha namorada. O cara não tem que se meter. Não tem que tornar isso público.

Tentei ficar calmo, mas ele me provocava.
Respirava fundo buscando paz, mas a cada palavra que ele dizia meu sangue subia. Quando ele terminou seu discurso pra lá de manjado, minhas mãos já estavam cerradas. Eu queria dar um soco nele. Tive o controle da situação, mas ao ir embora o velho deixou escapar a última besteira da noite, e foi então que fui possuído pela loucura.

Como foi prazeroso esmurrar aquela porta de metal que estava na minha frente! Como me deliciei ao jogar o relógio que paguei a maior nota, sem medo algum no chão!

Agora corro...

Não sei pra onde vou, apenas continuo...

Depois de me confessar aos seguranças do hospital e de ver meu pai arrependido, implorando para que eu volte, percebo que minha loucura é diferente.
Meus amigos me abraçam e choram comigo. Todos repetem.

- Você é meu... você é “muito” meu...

Se o tal de Edgar Allan Poe tinha razão, dizendo que a loucura representa a forma mais elevada de inteligência, sou realmente louco, pois tenho a inteligência e a sorte de ter pessoas tão diferenciadas ao meu lado.

Mas uma coisa é certa: Eles também são loucos!

17 março 2006

Depois do Medo e do Silêncio, que tal um pouco de Esperança, para colocar um pouco de luz nessa página?

A Esperança e o Vento

Ao acreditar na esperança, sentirás
O sopro de um vento que passará
Rente ao teu braço direito, percorrerá
As tuas incertezas rumo ao norte: o seu coração.

Por inúmeras vezes a angústia pode ser
A saída viável, ou o caminho mais simples,
Mas trará consigo um furacão de problemas
Que destruirá suas noites de sono.

O horizonte pode realmente estar longe,
Mas quando foi a primeira vez que tu viste
A felicidade em lado oposto à harmonia?

A paz chega. O vento te abraça.
A lua te acolhe e a esperança acalenta as palavras
Que te guiarão quando a noite estiver escura e fria.

16 março 2006

15 março 2006

Medo (Segundo Diego Avelar)

O medo era meu amigo.

Já não sabia há quantos dias eu estava sem comer.
Mamãe sempre dizia que era para eu recusar tudo o que estranhos me oferecessem. Mas estes caras eram mais do que estranhos. Mesmo aos quatro anos eu já sentia, que aquelas migalhas de pão emboloradas e aquele leite com cheiro de azedo iriam acabar comigo.
Eu precisava da mamãe ao meu lado. Sentia falta do seu cheiro, do seu abraço, da sua mão que corria por todo o meu cabelo embaraçado descendo até o pescoço e voltando levemente.
Atordoado, comecei a lembrar do meu penúltimo dia de felicidade, quando papai trouxe flores para mamãe e me deu um abraço apertado. Parecia mais uma despedida... Era uma despedida.
Eles tiveram uma noite maravilhosa: prometeram a si mesmo que no último dia de casados relembrariam os momentos em que as desavenças não eram constantes e que havia harmonia naquela casa.
Não sei se sou avançado para a minha idade, mas todos estes pequenos detalhes não esqueci nunca. Parece até que tenho um Memorycard de PlayStation 2 em meu cérebro.
Papai dizia que no tempo dele, as crianças corriam pelas ruas, brincavam de esconde-esconde, pega-pega, pião, jogavam bolinha de gude, taco, e que mesmo assim eram felizes.
Será que papai estava certo o tempo todo?
Talvez, porque em meu último dia de felicidade uma tal de Sofía Avelar, mais conhecida como minha mãe, me levou para passear, coisa que há muito tempo não fazia.
Depois da tradicional visita de final de semana à casa do papai, paramos na sorveteria da esquina e pedi o maior sorvete que minha gula pudesse agüentar.
Estava um calorão, e conforme eu andava, respingava sorvete na camiseta do São Paulo, presente que ganhei domingo passado, quando eu e papai, que é tricolor doente, fomos ao Morumbi.
Mamãe me levou ao parque e logo que chegamos lá um menino folgado me empurrou, mas depois veio outro que me chamou para brincar. Foi incrível! Corremos, nos escondemos, subíamos nos brinquedos, descíamos com tudo lá do topo do escorregador. Eu olhava pra mamãe e ela estava muito feliz, debaixo de uma arvore, vovô diria que era uma figueira.
Quando começou a escurecer, cansei de brincar. Fiquei com sono e mamãe me pegou no colo e me colocou no banco de trás do carro.
Em sua mão, estava uma caixa de lego, que em momento algum eu toquei enquanto estava no parque, e imagino que ela percebeu que aquele brinquedo não tinha mais utilidade, pois finalmente encontrou uma forma de me deixar alegre. Eu não precisava mais construir castelos de felicidade.
Ao entrar no carro, tive uma sensação horrível: meu corpo tremeu, minha boca secou, senti um frio na espinha, enfim dei de cara com o medo!
A felicidade foi embora pela janela do passageiro e nem deu pra ver pelo retrovisor para onde ela se foi. Só ouvi uma voz desesperada, enquanto mamãe entrava no carro e endireitava seu corpo no banco da frente.

– Quietinha dona, ou você já era...

Desesperado, vi que o moço estava acompanhado com mais um outro, e em sua mão uma faca passava rente ao pescoço da mamãe.
Em estado de choque, não tinha como mamãe desobedecer àqueles caras, e os dois entraram no carro, espalhando o lego por todo o banco de trás.
Um deles me forçou a cheirar um pano. Resisti e chorei, mas de repente meus olhos começaram a se fechar e ao meu lado, eu vi a última imagem de mamãe: o vento secava suas lágrimas e seus olhos não fugiam dos meus. Sua boca delicada e gostosa de beijar esboçava alguma coisa, mas meus olhos, meus olhos teimavam em se fechar. Naquele instante me concentrei como nunca, mais até do que quando a tia da escolinha pede pra todo mundo prestar atenção nela. Antes que eu dormisse, tinha que ouvir o que ela dizia. E eu ouvi!

- Diego, Diego, não importa o que acontecer. Não importa o que te façam. Quando você sentir medo e ver tudo escuro lembre-se dos momentos em que foi feliz, meu filho...

Dias se passaram e eu resisti. Não sei de onde tirava aquela força toda.
Sem comer, mal conseguia dormir, e não tinha nem idéia de onde estava a mamãe.
Os dois seqüestradores quase não falavam comigo e eu mal ouvia conversas entre eles.
Um dia o Cacá, que deveria ser o cérebro da dupla, saiu e então eu tentei descobrir algumas coisas com o outro, que era meio doidão, o Neguinho. Comecei perguntando pela mamãe e ele nada me dizia. Insisti, insisti e ele me deu um soco.
Nunca havia apanhado na vida, e aquela dor foi demais pra mim. Comecei a chorar. Minhas lágrimas eram uma mistura de dor, fome, desespero, saudade, angústia e, principalmente, medo.
Eu estava jogado num quarto escuro, perto de um buraco onde passava uma água fedida, acho que era lodo. Fechei meu corpo em silêncio.
Mesmo assim, o Neguinho estava transtornado e me bateu de novo. Me levantou pela camisa, rasgando o manto sagrado do meu pai, e me jogou longe.
Viu uma pá de pedreiro e veio com ela em minha direção. Bateu em minha cabeça e tirou da cintura uma faca mais enferrujada do que os trilhos daquele trem antigo que um dia pegamos quando visitamos o tio Adolfo, que mora na zona leste.
Acho que lembrei de todas esses detalhes, porque dizem que quando estamos perto do fim, um verdadeiro filme passa em nossa mente.
Neguinho se aproximava, e eu não sentia mais medo. O medo tornou-se meu amigo e aprendi a conviver com ele. Me concentrei de uma forma ainda mais intensa do que a daquele dia no carro.
Aos poucos lembrava do último beijo dos meus pais, daquela noite maravilhosa, da forma como eles me olharam.
Me lembrei da euforia do papai ao me abraçar na hora que saiu gol no Morumbi, e de como gritei com emoção e satisfação por estar ao lado da pessoa que eu mas sinto saudade na vida. Quando chegava o final de semana, ele me abraçava e jogava pro alto, e eu via naqueles olhos, o homem que eu queria ser.
Me lembrei de como era gostoso empurrar a tia e sair correndo da escolinha direto para o carro da mamãe, que me levava para almoçar, sempre um prato especial, feito com muito carinho. Em casa, fingíamos que papai tinha saído, que estava em uma viagem de negócios e que só o veríamos no final de semana.

Neguinho estava na minha frente.

Fechei meus olhos e tentei lembrar as palavras que a linda Sofía me disse naquele carro.

Sintia algo entrando em meu corpo. Era a faca do Neguinho.

Pai, não deixaram que me tornasse o homem que o senhor é, mas pode ter certeza que serei sempre o seu Diego, o seu Anjinho.

Mãe, estou pronto... não importa o que acontecer. Não importa o que me façam. Sinto medo e vejo tudo escuro, mas eternamente lembrarei dos momentos em que fui feliz, afinal, fui seu filho.

Versões

O próximo texto trata-se da visão do menino Diego Avelar, em relação ao seu seqüestro.

Para ver a visão de Sofía( a mãe do menino) acesse: http://www.teotema.blogspot.com

Para ver a visão dos seqüestradores acesse: http://www.eitablog.blogspot.com

14 março 2006

Bala Perdida

Tinha a intenção de postar um assunto mais leve, e de continuar no ritmo das grandes paixões nacionais, conforme indicação de uma assídua leitora. Porém, na noite desta segunda-feira, ao assistir ao filme “O Senhor das Armas”, uma revolução explodiu em minha mente.
Longas que se baseiam em fatos reais para escancarar ao mundo as atrocidades provenientes da ganância humana são sempre bem-vindos em nossa atual conjectura caótica.
“Chinatown”, um dos melhores trabalhos do diretor Roman Polanski (“O Pianista”), explora os elementos do cinema noir, com uma impecável atuação de Jack Nicholson, remetendo ao espectador a seguinte certeza: não importa o que aconteça. Ainda pode ficar pior.
A contundência deste filme, que relata escândalos envolvendo gângsters de Los Angeles e um obscuro esquema de distribuição de água e energia na cidade, pouco tem a ver com o tema “bombástico”, que ronda esta página.Trata-se de um pequeno gancho para salientar, o quão desprezível é a ambição humana.
No Oscar deste ano, filmes com o mesmo caráter denunciativo de Polanski obtiveram êxitos levando uma ou mais estatuetas na noite de gala do cinema americano.
O grande ganhador da noite, “Crash – No Limite”, relata a história de pessoas de etnias diferentes que se colidem na dor e se unem na esperança de vencer o preconceito.
George Clooney, que por diversas vezes criticou a doutrina Bush, levou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo intrigante Syriana – A Indústria do Petróleo. Foi um verdadeiro tapa na cara nos donos do ouro negro.
Fernando Meirelles que fizera uma brilhante crítica à origem e ao ciclo da violência nos morros cariocas no filme “Cidade de Deus”, surrou outra Indústria poderosa: a farmacêutica, no comovente “O Jardineiro Fiel”.
Dois outros longas desta safra politizada merecem destaque: “Marcas da Violência”, que é praticamente auto-explicativo, e “Hotel Ruanda”, um dos poucos filmes ocidentais que expôs a todos os cantos do planeta um genocídio que matou mais de 1 milhão de pessoas enquanto a maioria da população distante do continente africano fechava os olhos para o massacre.
Todos estes filmes produzidos e distribuídos em momentos quase idênticos não seriam uma espécie de confissão extra-oficial do Tio Sam ao mundo, que seu país é um total fracasso em relação a acordos de paz com a ONU, miscigenação étnica, tolerância racial, e apoio à questões humanitárias?
Talvez quem possa dar esta resposta seja George W. Bush, ou seu algoz , o documentarista Michael Moore uma das principais vozes anti-republicanas nos Estados Unidos. Seus dois principais trabalhos: “Firenheit 9/11” e “Tiros em Columbine” foram considerados por muitos americanos como um insulto à pátria.
O primeiro debocha da incompetência do atual presidente americano diante do mais relevante atentado terrorista da história moderna. Já o segundo, é um ancestral de “O Senhor das Armas”, pois destaca a facilidade que a população americana tem para comprar uma arma, talvez o maior fascínio daquele povo.
Em “O Senhor das Armas” Nicolas Cage no início do filme sentencia que é produzida uma arma para cada 12 cidadãos do globo terrestre, e que é necessário armar os outros 11.
E sem querer ser estraga prazeres, termina com uma seguinte constatação: “A paz é pouco atraente para os grandes negócios, e por mais que acabem com os vendedores de armas os países continuarão vendendo , pois hoje os maiores exportadores de arma e munição são, Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, hilariantemente os cinco países que tem cadeira fixa no conselho de segurança da ONU.
A paz não era mais do que uma bala perdida, que perfurou o coração da esperança e encheu os bolsos dos senhores da guerra.

13 março 2006

Ronaldos e Eduardos

No último domingo, em coluna publicada no jornal Folha de São Paulo, o jornalista Juca Kfouri salientou que ainda acredita em “Ronaldos”.
O atual melhor jogador do mundo, eleito pela Fifa(diga-se de passagem, por duas vezes ) é , sem a menor dúvida, nome certo para brilhar na Copa do Mundo da Alemanha que ocorrerá daqui a 87 dias. O talento e a genialidade de Ronaldinho Gaúcho, fazem do craque uma unanimidade nacional e internacional. O ex-craque Tostão declarou no mesmo jornal que “Ronaldinho só está abaixo de Pelé, igualando sua habilidade ao lado de jogadores como Garrincha e Maradona”.
Um exemplo claro de sucesso.
Por outro lado, Juca aposta suas fichas em Ronaldo do Real Madrid, o antigo “Fenômeno”.
Assim como o jornalista, milhares de brasileiros, entre eles eu e o presidente Lula, têm a nítida noção de que o jogador novamente superará seus conflitos, já tão constantes.
Ronaldo vive a roda gigante da vida: Um dia está lá no céu, nas alturas. Tem picos de felicidade e se sente o dono do mundo. Em outro, está embaixo e não vê expectativa de subir. Nessa roda gigante da vida, às vezes quem está em cima cospe na cabeça de quem está embaixo.
Da mesma forma que cuspiram em Ronaldo, fizeram com o ex-técnico corinthiano Antônio Lopes. A alta cúpula do clube paulistano não deu ao treinador estabilidade para que o mesmo fizesse um trabalho harmônico e o que era pra ser um plantel de jogadores de futebol tornou-se um contingente militar.
Não que eu seja contra uma guerra civil no Corinthians, mas este tipo de fato só evidencia que quando não há comando, não há disciplina. Não falo como um general, nem como um técnico linha dura( Felipão e Parreira têm como livro de cabeceira “A Arte da Guerra” de Sun Tzu), apenas alerto que para que essa falta de comando seja suplantada, deve haver uma anarquia consciente, semelhante à democracia Corinthiana, da Década de 80.
Para vencer este jogo, não precisa de “dadinhos de brinquedo”.
Chegar até ao topo, já é chegar até o final.
Mas qual é o benefício de atingir o apogeu, sendo que ainda há muito que viver?
Certo vez, o historiador Hugo Leonardo Dias defendeu a tese de que vivemos o Play Station de Deus: um jogo no qual o todo poderoso é o grande controlador de nossas ações: ele que nos dá créditos, “continues”, e decide o veredicto, o chamado game over.
Se as coisas acontecerem realmente desta forma, Deus ainda dará muitos créditos aos “Ronaldos”, aos “Severinos”, aos “Eduardos”...
Espero que ele não seja corinthiano, porque se for, em breve vai tirar todos os créditos que concedeu a este humilde tricolor. Exceto é claro, aqueles "continues" por vitórias que consegui vencer sozinho, no adverso jogo da vida.

12 março 2006

Mesa Quadrada

Durante a próxima semana este blog será pontual: cada dia abordará um determinado assunto com o intuito de esclarecer, ou confundir a cabeça dos seus leitores: eu e mais uns cinco gatos pingados...

O primeiro assunto a ser retratado será uma análogia do futebol com a realidade, o jogo da vida.
Este tema foi escolhido não só pela euforia da vitória do tricolor querido, ante aos gambáticos por 2 x 1 , mas para dar a visão de que em ano de copa, no país do futebol, não há como fugir de comparações entre a bola e o mundo.

É só esperar o apito do juiz...

11 março 2006

O que há?

Em teu seio não há mais esperança.
Em tuas mãos não há mais projetos.
Em suas pernas não há mais forças para andar.
Em sua mente não há mais raciocínio lógico.
Em seu coração....
Que coração?

10 março 2006

Deformado Formado

Há pouco mais de quatro anos, este cidadão entrava para o seleto grupo daqueles que tem uma oportunidade de ingressar em algum tipo de curso acadêmico.
Naquela época o nosso ilustre protagonista saira de um relacionamento que durou quase dois anos, mas seu pensamento em uma vida nova, com novas perspectivas e rumos era a morfina que fazia com que seu coração continuasse a bater.
Logo no primeiro dia de aula, o jovem calouro embasbacado com o ambiente universitário, foi facilmente descoberto pelas feras que habitavam uma selva chamada, Unisa.
Completamente domado, o novo "bixo" apenas seguia os comandos, afinal "bixo não tem direito a nada: bixo não bebe, não senta, não fala alto com veteranos". Ou melhor, bixo tem obrigações: doar dinheiro, fazer pedágio, ser batizado e , se tratando do curso de rádio e tv, tem que aprender um hino: "Ô Balancê, balancê, somos de rádio e tv, entra na roda e o bixo vai ver, somos de rádio e tv".
Todo esse ritual, já inerente ao curso, serve para que o aluno se integre com sua turma, numa diversão amistosa, e que será lembrada pelo resto da vida.
E não é que é lembrada mesmo?!
Uma copa do mundo se passou e mesmo assim não dá para negar que todos aqueles pequenos momentos foram tocantes, por mais que fossem hilários.
De aluno de comunicação social com habilitação em rádio e televisão, passo a ser um comunicólogo.
O que mudou?
Nada.
No preto no branco mesmo, continuo como um bancário que tem aspirações, sonhos e desejos que um dia serão concretizados, isto é, se houver no mínimo muito trabalho e dedicação para transformar o abstrato em cotidiano.
Não desisto, e hoje não há "até quando" que me deixe com um pingo de arrependimento em ter escolhido uma área maravilhosa, que não tem um campo de mercado maravilhoso, é claro, mas que me faz olhar além das barreiras previsíveis do sistema capitalita, onde é possível sim ser alguém feliz com o que faz.
Ouvi na formatura que "ninguém estava com ilusão de ser rico ou famoso" e me conforto em saber que existem mais pessoas que escolhem suas futuras profissões em busca de um mesmo ideal.
Se o sucesso vier ele virá não por acaso, mas por reconhecimento.

Obrigado à todos aqueles que estiveram comigo neste caminho, que apareceram na formatura, ou que estavam de coração presentes em cada momento.

09 março 2006

Agora Vai!

Este pequeno post tem a missão de relatar um marco na história da humanidade: o dia em que uma máquina degenerada, um computador, dito perdido, ressurgiu como uma fênix, e, enfim, poderá colocar ordem nesse brejo.

Espero...

07 março 2006

Até Quando?

Um salve aos degenenerados da noite, obviamente, já sem salvação.
Enquanto a diversão se extendia pelas horas da calada paulistana, um bando de desaprumados percorria as ruas da cidade em busca de uma resposta para uma pergunta que teima em persistir: Até Quando?
Não é possível ou justo que tudo conspire contra aqueles que buscam a liberdade.
Passos em vão, chuva cortante, visão categórica do mapa do inferno. E, por onde anda o gerente dessa bagunça? Será que algum homem de bem pode chamá-lo lá no céu?
Talvez o ceticismo de uns e as frustrações de outros nos afastaram ou nos cegaram das verdades convenientes, que só os outros vêem.
Pobreza, noites sinístras,ônibus, lotação, abandono. Até Quando?
Parafraseando o som da Plebe Rude: "Até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus?"
De joelhos ninguém está, mas precisa mesmo?
Trata-se de um desabafo.
Palavras sem sentido...
Mas porque deveriam ter algum sentido?
Por que deveriam ser claras, simples e objetivas?
E acima de tudo, por que tenho a certeza de que essa ainda não será a última indagação, pois uma outra ainda me incomoda: Até quando viver no ostracismo, às margens da plenitude da vida?

03 março 2006

Sete!

Sei que a estrela vai brilhar longe daqui, mas quem sou eu pra impedir que o céu guie a noite vã, distante do coração de quem ficou pra trás.
Rumo ao norte, desviando da sorte sem medo de ter medo do que não conhece, pois o que ficou para trás é pouco para um sentimento quase louco, que não tem nenhuma relação com a utopia.
Falamos de lógica, de assuntos embasados em fatos, mas qual é a razão que afasta esta estrela daqui?
Se vai para o norte, me deixe forte para que eu possa entender os fragmentos do que ficará. Estou cansado de ter as coisas pela metade.

Mas se vai, aproveite enquanto tenho forças para desejar você além da utopia, e te querer em um sonho, que pode até acabar em pizza, mas com toda certeza, com 7 camadas de queijo.