27 junho 2011

Abismo D'alma

A solidão é a luz que acende a crença do amor.
Meu desejo – refém da escuridão do teu coração –
Apaga meu penar em ti.

Aproveitei o raiar do dia, e me fiz aurora.
Forjei o crepúsculo que batia em teu peito,
E de ti não apanhei mais de paixão.

Conhecemos a vida,
Ao mergulharmos no abismo d’alma.
E tentando saber um pouco mais de ti,
Esqueci quem eu nasci para ser.

Promessas foram sínicas e desconexas.
Ninguém cumpriu o que estava escrito.
Rasgamos o contrato,
E assim o dia rompeu com a noite.

Sem amanhecer, o amanhã secou.
Solidão se fez novamente e a luz,
Não mais acendeu a crença do amor.

10 janeiro 2011

Conjuro

Hoje vivo a saudade.
Não sinto a chuva
- A espremer as nuvens –,
Tampouco a noite, cinza e fria.

Não sou bom em palavras,
Não tenho dom de abstê-las,
Mas dome minha dor,
Que darei a ti minha paixão.

Fonte de magia abstrata.
Não revelo segredos sem pistas.
Labirinto tortuoso de prazer,
Fez morada em meus passos.

E para continuar em saudade,
Abandono a dor e conjuro o amanhã.
Se o passado foi alimento feliz,
Ao amanhecer, a chuva passará.

20 julho 2010

Ninho do Amor

Fui ali buscar um pouco de felicidade.
Trouxe um pote cheio, transbordando.
Esqueci como era esse deleite.
Me empanturrei, não me enjoei.

Achei que era passageiro,
E fui passando as melhores manhãs.
Achei que era sem compromisso,
E me comprometi com a paixão.

No leste fiz abrigo, no sul aconchego.
O açaí ao cair da noite,
Os operários a edificar nosso futuro.
Construção de nós dois.

Ninho do amor,
Sonho em parcelas eternas.
Pagaremos nossas dívidas
Mas seremos credores de nossa paz.

Te amo tanto que até dói o peito.

22 março 2010

Átomo Indivisível

Teus olhos, sorriso teu.
Tua boca, mira do meu olhar.
Sou homem feito.
Feito em ti, em paz.

Cortejei minha fé em teu peito.
Curvei-me ao teu afago, enfim.
Lutei contra minha própria dor,
Levante de ousadia errante e rija.

Venci a imbecilidade de outrora.
A estupidez frívola e doentia
É apenas aprendizado reverso.

Hoje, faço escola em teus braços,
Sou primeiro da classe, sou nota dez.
Passo de ano, e na matéria do amor,
Sou átomo indivisível de ti.

12 março 2010

Alma de Amigo

Não tem melhor abrigo,
Não tem pior castigo,
Ficar sem a alma de amigo.

Uns pintam o corpo,
Sem inglês, sem memória.
Mas na língua da amizade,
Aprenderam a fazer História.

Engenheiros, Bancários,
Psicólogos, Motoboys,
Artistas, Quase Heróis.

Começa numa ilha,
E chega ao continente,
Caminho sem trilha,
Confiança de um presente.

Aos que foram, saudade.
Aos que ficam, lealdade.
Aos que sonham, amizade.

O jornalista faz o poema.
O poeta lê jornal.
A gráfica imprime a letra
De um princípio real.

Não tem melhor abrigo,
Não tem pior castigo,
Ficar sem a alma de amigo.

09 março 2010

Coração Que Voa

Sem luz, não há palavra.
Sem palavra, não há inspiração.
Sem inspiração, não há rima.
Sem rima, não há canção.

Eu canto a luz em mim,
Inspiro a palavra em nós,
Rimamos a mesma nota,
Cantamos com a mesma voz.

Destroços de um sonho,
Lampejos de uma promessa.
Somos dilúvio em cinzas.
Brasas que se inundam.

Só coração que voa,
Estouro de felicidade,
Nave que viaja em paz.

02 março 2010

Canto O Silêncio

Descubro em meus nervos:
Não sou de ferro.
Enferrujado, talvez.

Quis felicidade infinita.
Utopia absoluta,
Mas em cansaço, me faço.

Lamentar, não basta.
Contestar, quiçá.
Fraquejar, quase rotina.

Não acordei Super-Homem.
Tomei um banho de Criptonita
E me ausentei do mundo.

Em devaneios, encontrei palavras.
E em palavras, canto o silêncio.

22 fevereiro 2010

Sou Eu

Sou Eu,
O modo de fazer amor,
Simples assim.

Sou Eu,
Destino certo do prazer,
Felicidade em mim.

Sou Eu,
Alegria que atravessa a cidade,
Um brinde ao futuro.

Sou Eu,
Ventura que se apresenta,
Paz de um ser maduro.

Fui em vão,
Voltei varão.

Irei, sem fim.
Sou Eu, Enfim.

11 janeiro 2010

Ode Sem Rima

Nos pés, a sombra do amor.
Parte sincera de um caminho,
Um sonho de outrora,
Uma lembrança, talvez.

Diluídos em passos de sonho,
Misturamo-nos sem desavenças,
Simbiose exata do prazer.

Fingimos não ser passo definitivo,
Mas não podemos andar para trás.
Não há retorno, não há estorno.

Uma entidade se cria,
Funde-se em nós dois,
Como o único caminho da felicidade.

Somos ida ao amor,
E ode sem rima e sem dor.

14 dezembro 2009

Ao Leste

Amor é grosseria beslializada,
Fonte inesgotável de penar.

Não amei por ser astuto.
Findei em ideias e ideais,
Escapei, resisti, não amei.

Cheguei ao topo
Da cadeia alimentar.
Me alimentei da vida vã.
Das frivolidades da noite,
Do cotidiano insosso dos dias.

Não vivi, não senti, não amei.
Desse tempo, não quero recordar.

Hoje, meu amor nasce ao leste.
És o meu norte, o centro de mim.