05 março 2007

Parada Cardíaca

Ela queria apenas mais uns dias para pensar.
Refletir, ter em mente a certeza de que estava fazendo a melhor escolha.
Pensou, e após aquela semana de angústia, chegou a uma conclusão: deveria ficar sozinha.
Fumou um cigarro, tragou-o como quem suga seus pecados e arrependimentos, e da janela de seu quarto começou a arquitetar a forma mais simples de dizer tudo que iria acontecer a partir daquele momento.
Mas a grande verdade implícita consistia em dizer a ele tudo aquilo que não iria mais acontecer após aquele instante.
Toda essa difícil e contrangedora situação foi resolvida quando, de forma inesperada, o telefone tocou.
Sua saudação não foi cordial como outrora, e até o mais inepto e insensível ser perceberia que algo estava errado.
O cidadão, não tão inepto e tampouco insensível começou a fazer sua apólice de seguros, pois sabia que naquela noite algo fatal iria acontecer ao seu coração.
Os dois conversaram, e polidamente decretaram o fim de uma história que mal começou.

Odeio histórias mal resolvidas!

No mínimo ela já não sente remorso ou arrependimento, pois ele demonstrou total compreensão e não quis forçar uma situação.

Será que não seria a hora dele dizer mais do que realmente sente, para quem sabe solidificar a confiança, ou pelo menos ludibriá-la?

Mas o cidadão não o fez.

Decidiu apenas que continuará errando em busca do acerto e acertando quando faz tudo errado, como por exemplo, quando deixa seu coração ter uma parada cardíaca, e é vencido pela racionalidade.

24 fevereiro 2007

Minúcias Despidas

Conflitos intensos nas minúcias da alma.
Cada fragmento representa tudo aquilo que não existe, tudo aquilo que não tem representatividade. Tudo aquilo que supostamente seria vazio. Mas não é.
Segmento por segmento, passo a passo, a confusão instaurada em seu coração começa a tomar conta da razão, deixando-o completamente refém de milícias sentimentais, que apoderam-se de seu corpo, cobrando pedágio caro para quem não esperava gastar nada.
Talvez esse seja o preço de quem se arrisca e se expõe dessa maneira, mas sem arrependimento, continua. Não sabe para onde, nem até quando, apenas continua.
Sente a impressão de que já dissera ou pensara tais palavras, mas em meio à tantas dúvidas, não se pode dar ao luxo de questionar este pormenor. Tem apenas que seguir. Em frente, torto, desconexo, desaprumado, não importa! Segue.
A intensidade chega ao seu ápice.
As minúcias se unem embaralhando todo o senso crítico.
Já não sabe mais o que é alma, o que é sentimentalismo, o que é racionalidade e o que é paixão.
Sabe de pouca coisa não é verdade.
Mas sabe, que entre todas essas dúvidas está a sua felicidade.
Intangível à um olho nu, mas explícita na felicidade de dois corpos despidos de arrependimento.

08 fevereiro 2007

Fruto de uma bela Foda

Entre a Consolação e o Paraíso... Não sabe ao certo em qual alameda, muito menos em qual beco escuro, foi projetada.
Talvez pelo simples fato de não ter sido gerada com projeto, ou alguma premeditação.
Foi feita no improviso, na adversidade, na luxúria, mas acima de tudo, manteve a sensibilidade de seus pais, que mesmo em plena loucura, jamais esqueceram o significado da palavra amor, essa mesmo que hoje em dia é tão deturpada quando é dita.
Kacey Luna, nome no mínimo peculiar, mas que trás em si uma força estrondosa.
Das iniciais de Kurt Cobain, surge o primeiro nome, enquanto o segundo, faz alusão a Lua, seu brilho, sua intensidade, e suas fases.Versátil como a Lua, genial como uma estrela do rock, a história de Kacey em breve marcará esse espaço, também com todas as suas nuances, suas derrotas, seus vícios e todas as adversidades que em seu sangue misturam-se com suas glórias.

26 janeiro 2007

Um vadio no divã

"Vem meu menino vadio, vem sem mentir pra você.
Vem, mas vem sem fantasia,
Que da noite pro dia você não vai crescer".

Chico Buarque


Um menino se foi..
Um homem se apresentou...
Um vadio assumiu o comando.

Dos tempos de menino, o novo comandante tenta apagar da memória qualquer resquício de inocência e pureza.
A doçura que outrora transpareceu reluzente em cada simples sorriso, amargou-se no desprezível olhar vulgar, que voluntariamente mira suas vítimas.
Plural complicado e desconexo: Vítimas!!!
Vítimas que não passam de um adorno para o ego carente do comandante.
Percebe-se que o capitão tem muitas falhas, mas a principal delas se materializou en algum momento da transformação do menino em homem.
Não podemos afirmar que este não presta mais. Contudo, devemos espalhar aos quatro ventos que este homem não prestava até este exato momento.
Neste instante, a criança alegre volta ao comando, apresentando ao novo homem formas mais puras e encantadas de transformar sua vadiagem novamente em erros banais e compreesíveis da razão humana.

Um vadio se foi...
Um homem se reapresentou...
E o coração do menino finalmente voltou a bater.

06 dezembro 2006

Contrastes e sorrisos frenéticos são
A base da alma que a sustenta.
Roda o mundo, em busca de alegria.
Uni-se a tribo do abraço,

Como se fosse a pessoa mais carente.
Ao contrário. És forte e decidida.
Reflexo que seus olhos tentam, de
Uma forma nada discreta, esconder.

Consegue ludibriar o ego daqueles que
A desejam. Não é uma conquista.
Repudia a idéia de ser um troféu,
Um mero prêmio, um mero desejo.

Claro que tem suas fragilidades, mas
Alucinada pela vida, alucinada por sonhar,
Ri de suas derrotas e mal sabe quando vence
Uma batalha. Por mais difícil que seja.

Corre sem destino, sem sentido, sem precisão.
Anda camuflada, descarada, fazendo festa.
Retorna ao centro de si e se abraça.
Única. Também simples e complicada.

27 outubro 2006

Abraço

Toda a vontade que tens neste instante, ainda é pouco perante o desejo que tu esqueceras na noite de ontem.
Cansei de te lembrar que desejo não se esquece, se aquece.
Mas não é isso que quero agora, deixo claro em linhas obscuras que preciso de paz. E desejar você é o maior dos conflitos. Estar contigo, nem pensar... bélico demais. Chega de fogo.
Quero alguém diferente.
Alguém que conduza o sonho, e que não ligue para o tempo, nem para as palavras. Que seja mais forte que uma brisa, menos intensa que um vendaval e tão suave quanto à calmaria de um abraço.
Mas que abraço é esse que é absolutamente inconstante?
Triste quando a alma percebe que o corpo faz coisas diferentes de sua essência.
Escapismo válido, quando é dosado, claro.
Mas e quando nos embriagamos em porres degenerados?
Não faço a mínima idéia.
Chega de tentar encontrar respostas para tudo.
Um brinde ao degeneralismo, um brinde aos lesados, um brinde às incertezas que corroem a alma, destroem o corpo, mas que nos deixam felizes por uma noite.
Quanto à paz?
Um dia ela me abraça.

20 outubro 2006

"Uma brisa conduz um sonho, mas se o tempo impedir que as últimas palavras sejam ditas, deixe a calmaria te abraçar".

12 outubro 2006

Como é ...

De onde será esse prefixo?
Uma ligação não atendida. Mas num faço idéia de quem possa ser...
Pergunto a um anjo. Mesmo com certa dúvida, acredita que seja de Belo Horizonte.
Pronto não há mais hesitação: É de Minas o tal telefone.
O anjo me conforta, mas o telefone volta a tocar. O mesmo telefone. Chega a hora da verdade.
Talvez seja um engano e eu tonto que sou, me preocupo por antecipação e equívoco.
Anda atende logo... Cria coragem rapaz!
Ao lado esquerdo da estante começo a desvendar o primeiro mistério.

- Alô, é o Ricardo?

- Opa! Quem fala?

- Então Ricardo aqui é o João Pedro. Tô sabendo que você anda trocando uns e-mails aí com a minha namorada a Marisa. Cara, li umas paradas lá e num gostei nadinha. Na boa, acho que é melhor vocês pararem com essa conversinha antes que ela fique confusa. Sabe quero um namoro tranqüilo.


- Tranqüilo velho, mas tem uma coisa: faz tempo que a gente só conversa como amigos e nossos e-mails são de uma periodicidade de quase um mês. Ela demora pra caramba pra responder. Pode ficar sussa.

- Valeu, valeu. Só isso que queria saber.


- Ah, mas só que tem um detalhe: não vai ser uma conversa telefônica que vai me impedir de fazer o que quero, muito menos vai fazer com quê eu esqueça de todos os momentos aos quais a Marisa fez parte. ( desligo o telefone)

Bem, acho que depois dessa conversa um tanto quanto amigável ele num vai mais me perturbar.
A insegurança é dele. Eu estou quase do outro lado do Brasil e o cara vem me encher o saco.
Talvez tenha exagerado um pouco na dose, mas sou passional demais. Tão passional que ainda tive a pachorra de mandar um último e-mail a ela, com o endereço dele em anexo, já que ambos vêem as mensagens.
Disse tudo: deixei bem claro que não me arrependia de nada, mas que estava me afastando para deixa-la em paz.
Tomara que ela encontre, porque merece demais.
Ambos podem ter brigado por minha culpa, mas não era essa a minha intenção. Aprendi que mesmo não sendo ele, posso ser feliz aqui. Dou risada desses momentos inusitados.E descubro como é imprescindível manter a confiança em nossas capacidades e limitações, pois ao confiar em nossos sonhos, geralmente somos traídos por nossa própria insegurança.

09 outubro 2006

Ensaio

“Some daqui.
Qual a parte do “acabou” você não entendeu?
Quer que eu desenhe e coloque um anúncio com letras garrafais na frente do seu apartamento?
Se é esse o problema: faço com o maior prazer!
Fique em paz com a sua mediocridade de sempre. Mas fique em paz enquanto é tempo.
Não tenho interesse em saber com quem você está, quais são as novidades, ou quando você lembra de mim. Nada disso me interessa. Entende?
Dá o fora! Simples assim.
Antes achava que tinha ódio de ti.
Hoje, percebo que tenho pena.
Seus atos mesquinhos, suas palavras arrogantes não pertencem mais a mim. Não condizem com o desprezo que sinto nesse momento.
E não adianta ficar com essa cara de espanto não. Você procurou isso.
Quantas vezes será necessário provar que não temos mais nada?
Sinceramente, cansei disso.
Isso.... Vá embora.
Ao perder se tempo aqui, você apenas me fortalecerá.
Olha, sei que não é fácil para você ouvir tudo isso, mas pode ter certeza :para mim tudo isso não passa de um deleite. E ainda é ínfimo perto do que você me fez passar.
Nunca achei que ia amar o meu jeito de te odiar”.

Ele chega...
Ela tenta balbuciar algo...
Mas um simples sorriso do maldito, a faz esquecer de tudo que acabara de ensaiar em frente ao espelho.Na cama, esquece de todo o ensaio, pois agora é hora de odiar o seu jeito de amá-lo.

06 outubro 2006

Gotas de Insatisfação

Chove.
Seus olhos descortinam o tédio debruçado na janela, como se esperasse alguém para o jantar. Não está a espera. Só existe espera.
Após olhar fotografias antigas, reluta em abrir a caixa daquelas manjadas cartas de amores antigos. Porque não rasgou tudo, ou queimou quando estava tomado pela ira?
Na prateleira, CDs que ninguém mais comprará. Por falar nisso, esquecera de ligar o som do comodismo virtual. Abre a mídia. Pronto já tem um background.
A trilha é melancólica como seriam suas palavras, se hoje tivesse a oportunidade de compartilhar com alguém.
Lembra-se que existem várias maneiras de compartilhar sua solidão. Nenhuma delas é o suficientemente atrativa no momento.
Telefone... não!
Sair... não!
Janelinhas piscando...não!
Ler um livro e conversar com a sabedoria...não!
Ignorante e sem prumo volta à janela, debruça-se novamente e observa a chuva caindo, caindo, escorrendo e se perdendo.
Se perde no conhecimento vago daquilo que não viveu.
Inepto.
Tentou explanar o que sentia várias vezes, mas nunca conseguiu. Volta ao seu habitat noturno. Vê um sonho em 14 polegadas e uma página na qual tenta esmiuçar palavras pretensiosas.
Certa feita, disseram que estas palavras eram “chiquetosas” demais. Bobagem pura. Tudo é tão corriqueiro, que sem perceber começa a utiliza-las de forma natural, já não sabe mais o que é coloquial e o que é formal.
Sabe que apenas a chuva continua e a música termina.Sabe que as palavras não passam de consolo. Esquecê-las, nem quando a chuva acabar, nem quando a satisfação voltar.